terça-feira, 1 de outubro de 2024

Certos dias
Eu me sinto fora do lugar

Sabe como?

Caminhando na direção errada

De mãos dadas com desconhecidos

Sem reconhecer mais minhas pegadas

Clima

Me intrigou a previsão do tempo
Que não anunciou o seu calor
Ignorou seu turbilhão 

nada falou da enxurrada 

que quase me carrega 


Me intrigou a previsão do tempo

Que não previu sua frente fria

Cheia de distância e névoa 

E na ausência da palavra

Quase me congela 


Me intrigou eu não prever seu tempo

Reconhecer sua inconstância 

Tal como nuvem passageira

Que molha e vai embora

Se refaz e me renega


                      Norhan Sumar

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Resistência

Eu agradeço à sua resistência 
Por essa forma de me negar

conhecendo o meu mergulho raso

e por orgulho ou medo dizer não

quando meu desejo foi conveniência


Eu agradeço à sua resistência 

Por ter lutado para ficar

ignorando tanto descaso

te dar pranto e alimento pra ilusão

quando você ainda era paciência 


Eu agradeço à sua resistência 

Por me esquecer e se virar 

no amor de outro, por acaso

na dor de andar na contramão

e se refazer em resiliência


Por te amar sem exigência

eu reinvento a minha paixão 

e de longe eu lamento, nesse caso

enquanto espero para falar

que eu agradeço à sua resistência


Norhan Sumar 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Espelho de dois

O espelho não te mentiu

no dia em que você se viu linda

se viu sorrir e quis desviar

se olhou despir e precisou despistar

o frio da sala e do chão

mas não do olhar


O espelho não te mentiu 

no dia que formamos um belo casal

e viu seu toque me arrepiar 

sentindo que achara meu lugar de morar 

nos seus olhos, clarão 

e o convite a desaguar


                                             Norhan Sumar

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Mal me quer

Não é que eu te queira mal
você não me querer bem
Afinal, também
Quem vive de querer?
A gente vive com o que tem 

                        

                                         Norhan Sumar 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Mil vezes sucessivas

Eu não quero correr o risco 
de não parecer suficiente 

entre tanta juventude 

talhada e esculpida 

Entre essa rotina insana

que não se encaixa com a minha


Eu não quero abafar o riso 

de alguém que vem contente 

entre tanta atitude 

de vigor e vida 

Entre a minha insegurança 

que até então não existia 


Eu não quero regravar o disco

Rígido como quem mente 

entre tanta plenitude 

disfarçando uma saída 

Entre dores e arrogância

forjo uma postura fria


Eu só quero o seu sorriso

entre defeitos e virtudes

ser seu mel, sua comida

Do seu corpo a abundância 

mil vezes sucessivas 

Relances

Tenho vivido de romances 
de inícios incontáveis 

Nuances de vida a dois

sem ter de dividir o copo 

e a conta de luz

sem almoço de domingo 

os silêncios indecifráveis

brigar e reatar depois

fingindo que eu importo



Tenho vivido de relances 

de passos instáveis 

derrubando quem se dispôs

a dividir comigo meu corpo

e quem seduz

sem emoção ou perigo 

procurando miragens

onde o sentimento se foi

e o prazer são os caminhos tortos



                                          Norhan Sumar