domingo, 27 de março de 2016

Os nossos sons lhe parecem alheios, não?
Assim como tudo que é de origem nossa
tudo que não parece alinhado ao teu discurso
da hipocrisia, da meritocracia falaciosa
dos traços borrados
da sua visão de mundo

O nosso tom lhe parece alheio, não?
Assim como tudo que a gente trazia
tudo que não seja tua erudição mal fundamentada
requinte blasé, análise vazia
De achar que é detentor da verdade
de tudo

Nossa cor lhe parece alheia, não?
Assim como tudo que seja nossa identidade
tudo que não seja cristão, eugenista ou rendido ao capital
racismo velado, sempre covarde
De achar que define em silêncio
o que é normal

O nosso cabelo lhe parece alheio, não?
Assim como assumir que cabelo é raiz
e tudo que expressa a história da gente
que revive Cláudias em Benguelas, Amarildos em Zumbis
E faz questão de mostrar pra vc
que a elite mente

A nossa luta lhe parece alheia, não?
Assim como tudo que incomode a ordem vigente
tudo que enfrente a acumulação, a propriedade e a exploração
Segregação atroz, escravidão da gente
com caráter de classe, de cor
de achar que é senhor com arma na mão

Parece alheio o que eu quero dizer?
Então me cabe dizer que não calarão
a levada do som, a altura do tom, a negritude da cor e a força da luta
E as tuas condutas que não passarão
quando as pedras na mão forem nossas armas
e a sua resposta for fuga

Norhan Sumar

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