segunda-feira, 24 de abril de 2023

A solidão assusta 
Faz precipitar a decisão 

de estar apaixonado

faz a vida ser busca 

incessante por outro apreço

te dá tropeços em opostos 

e faz o silêncio ser clausura 

A própria censura de si 

de achar que ali

no outro, está o seu melhor

que vale tudo o que for

se te poupar de sentir 

a dor fria de estar só 


A solidão não cega

Dissimula a nossa fala

cala a nossa crítica 

ao que nos faz sangrar 

faz doer, por te fazer

querer ficar a todo custo

onde não lhe cabe mais

e se sabe que sorrir é esforço

Pra viver em busca

de imaginar como seria

se fosse como você 

de fato deseja 

que esse encontro seja


A solidão é luta 

contra o anseio 

de ter alguém por parte

que ocupe os espaços 

nem sempre de perto 

que sempre ficam

em cada despedida

Que seja qualquer cura

ainda que mal feita

das nossas feridas 

do ego, da carne, da alma 

As vezes atalho 

porque o amor não improvisa 

nem avisa se vai demorar 



Norhan Sumar

Calor

Andam falando sobre a frieza 
dos corações e dos sentimentos

Como se fosse uma defesa 

uma espécie de contra-argumento 

que repele e nega

a entrega plena

Eu pergunto: será?

Ando cansando de toda frieza 

das relações e dos momentos 

como se tivesse perdido a sutileza 

e negasse que ando vivendo 

em busca daquele calor brega 

pra aliviar o tamanho da dor

A resposta: amar 



Norhan Sumar

Outros Cachos

Eu não quero amar outra vez
Ninguém é interessante o bastante 
ou talvez eu não seja 
E resista por saber
que aquelas nossas noites
que ninguém encerrava 
não encontrarão nova morada
Que os bares da cidade mudaram de dono 
e dizem por aí que seu coração também
Também, pudera!
Diz você…
Quem foi embora e me deixou aqui?
Eu te ouço dizer
calado, como quem assume um erro
disfarçando o desespero
de dormir e acordar procurando você
Em outras bocas, outros corpos
as vezes até outros cachos 


Norhan Sumar

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Medida de amor

 


Como medir o amor do outro?

Se amor é pessoal 

se o sentimento é sensação 

de querer bem mesmo sem ter

De ver acontecer a vida

fora dos planos 

E não saber como recuperar 


Como medir o amor do outro?

Se amor é carnal

e por que não?

Se não há nada melhor que o prazer

de ver a pele despida

Dos rancores, das despedidas

E então viver de recomeçar


Norhan Sumar

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Mas é assim

Você que me quis 
Me tirou do sono, do sério, de casa
Pra depois vir me dizer que está confusa 
Me usa, sabe-se lá se só a mim

Mas é assim

Sua liberdade, suas escolhas, suas asas


Você que me diz

O meu abandono, meu tédio, sua mágoa 

Por que não usa mais a minha blusa?

Acusa, mas agora você que faz assim

E aí de mim

sua verdade, seu silêncio, mais nada


Querer você eu quero

E Espero, até, sua confusão

Tão sincero

Eu tenho sido e vivido o turbilhão

Do amor que é nosso

E você sabe que eu tempero 

E tem momentos que e só a gente dar a mão


Querer viver eu quero 

Mas com você ou com a solidão 

Tão eterno 

Esteja você aqui perto ou não

Eu fiz dor e destroços

Mas vivo pra ver se recupero

Seu amor, sua lealdade, sua paixão 



Norhan Sumar


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Nós

Essa confusão de nós
Que nos amarra um ao outro

Atando as mãos e os planos

Os passos e os enganos

Apertam até sangrar a pele


Essa confissão de nós

Que nos maltrata de novo

Revelando então os danos 

Aos poucos e aos prantos 

Acertam até sangrar a pele 


Esta obsessão de nós

Que nos acende o fogo

Reavivando um tesão insano 

Dos loucos e dos profanos

Queimam até suar a pele


Essa devoção de nós

Brindando paixão a cada gozo

Lembrando que há amor, portanto

A cada toque o corpo é canto

E a pele acolhe o mar da pele 


Norhan Sumar

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Valor

O tempo tem me provocado 
com suas novidades 

e sua forma de andar depressa

Faz tempo que ando calado 

sentindo em mim o desgaste 

evitando qualquer conversa 

que não valha o café ou o afago

 

                                                Norhan