Eu, como você, fiz escolhas
Ora certas, ora erradas
As certas sempre silenciosas
Não avisam que estão ali
Nem que resultaram da boa escolha
As certas te fazem achar que tem pouco
Porque não se mede a falta que faz aquilo que você ainda não perdeu
As certas te fazem feliz, claro
Mas você nem considera que a felicidade venha de lá
Elas têm curta duração
e é esse o desafio
Resistir ao teste de fazê-las mais uma vez
Não duvidar que essas escolhas são o que melhor você pode sentir
Das escolhas, as que marcam são as erradas
Deixam cicatrizes e lacinam
Avisam que você sente o resultado do que quis, do que escolheu
Não te permitem esquecer que outra escolha era possível
Que teu choro é legítimo, mas é todo teu
Que errar, muitas vezes, é voluntário
E que você sempre perde com as escolhas
Mas o que se vai com as erradas dói sempre muito mais
Elas levam embora essência
Levam parte da história que você deveria viver
Por isso doem de uma forma quase hipotética
Doem pelo que foi, pelo que é e pelo que seria
Sangram a alma do forte, para testar a resistência da lucidez
Avisam que a sua escolha emancipou o outro
Te aprisiona para libertar alguém
E se te liberta, faz desnudar a realidade da liberdade:
Senão efêmera, vã e passageira, é medida pelo tamanho das correntes
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Foto: Juliana Sumar... Eis aqui a magia e a beleza do Brasil!
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Escolhas
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Caminhada
Ela
saiu dizendo que precisava caminhar, andar por aí, sozinha, conhecer mais da
vida, dos outros, de tudo. Não quis ninguém perto, ou talvez ninguém que já estivesse
perto tenha entendido o propósito da caminhada. Também pudera, uma caminhada de
incertezas, de dúvidas, sem rumo, sem saber da volta. É compreensível a
perplexidade de todxs. Mas precisa todo projeto ter roteiro? Perguntava ela a
quem a desafiasse por uma explicação.
No limite
das coisas, ela sabia dos riscos de andar só, nem sempre só, claro. Mas de
andar por si só, pra si só. A caminhada exige fôlego em diversos momentos, a caminhada
sem destino apresenta surpresas e encontros por ora maravilhosos, mas também
riscos e tropeços. A caminhada da vida acompanha a magia traiçoeira do
imponderável.
Algo
que ela não mediu foi que ninguém pararia enquanto ela caminhava. As coisas seguiriam
sua ordem, nem sempre natural, mas seguiriam, não estariam estáticas à sua
espera. Conheceu na prática o ensinamento de Heráclito: “Ninguém pode entrar
duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra
as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”. E voltou, mas ao voltar
não encontrou o ambiente controlado que deixara para trás. Isso remodela a
todxs, tensiona a sua postura e suas ações. Afinal, como agir agora que ninguém
é mais o mesmo? E mais, como agir agora que todxs que deixou ali mudaram sem ela?
Sem o acompanhamento dela. Quem será que se tornaram?
A
questão é que, depois de cada tropeço ela insiste, andar é preciso para ela.
Andar segue sendo preciso. No caminho, ela se descobre em cada encontro, se
renova a cada parada, se transforma a cada lágrima e se mata a cada dúvida. E só
assim ela é capaz de renascer.
Somente
assim é possível viver e sentir a brisa da liberdade e a lâmina lancinante da
solidão. Você vai perguntar: mas a solidão não é importante? Conviver consigo não
é fundamental para saber conviver com os outros? Ela dirá que sim, claro. Mas a
mesma solidão que te preenche, planeja para você, sem o seu consentimento, um futuro
distante das convenções. A solidão observa você enquanto você acha que a observa.
Ela te domina enquanto você pensa que a domina. A solidão desconhece suas companhias. Ela as ignora, passa por cima delas como se nem existissem, somente para te remeter a um passado guardado na memória.
E sabe o que faz? Ela
diz que é preciso transformar a solidão em solitude, desafiar o que se pensa
sobre estar só e, com isso, não se sentir vazio, mas repleto de si mesmo. Ela,
a alma, segue a caminhada, sem rumo, mas aprendendo a lidar com cada surpresa
que o caminho reserva, (in)consciente que entre o bom e o mau há uma vida de
encontros.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Órbita
Vai ver você seja mesmo sol
E meu destino
seja
te orbitar
Tomar emprestada sua luz
vez em quando
se pôr pra mim
pra que raiar?
À distância
alimentar minha flora
e me aflorando
vai embora que é hora de acabar
Vai ver você seja mesmo um sol
e sua luz
clareza
demore a chegar
Me aquece mas queima
vez em quando
E não aparece
mas sei que tá lá
Há nuvem
que se coloca entre a gente
mas conheço seus raios
não há nuvem forte pra durar
E meu destino
seja
te orbitar
Tomar emprestada sua luz
vez em quando
se pôr pra mim
pra que raiar?
À distância
alimentar minha flora
e me aflorando
vai embora que é hora de acabar
Vai ver você seja mesmo um sol
e sua luz
clareza
demore a chegar
Me aquece mas queima
vez em quando
E não aparece
mas sei que tá lá
Há nuvem
que se coloca entre a gente
mas conheço seus raios
não há nuvem forte pra durar
sábado, 25 de agosto de 2018
Você faz
Você me faz sentir mais jovem
Mas nem sempre
Talvez porque eu não seja
Que seja ao menos quando estou contigo
Basta
Você me faz achar que é minha
Mas nem sempre
Talvez porque eu não seja o único
Se me deseja tudo quando estamos juntos
Basta
Você me faz reviver
E me mata devagar
Não sei se é veneno ou antídoto
Mas se for intenso com seu mar de libido
Basta
Você me faz querer
E querer hesitar
Talvez porque já saiba
Que entre mim e o mundo tem a vida pra desejar
Vasta
Você é minha melhor reflexão
E a alienação descomprometida
Não sabe ser maniqueísmo
É o reflexo dos meus desejos e da minha imagem
Gasta
Eu não quero mais você pra mim
Eu quero te querer pra sempre
Talvez eu não te caiba
E te ter posse seja privar a sua dança
Cortar as suas asas
Não basta só querer assim
Querer nunca é fácil demais
Tampouco esse seja o único caminho
Mas vale ter sua chama inteira aos poucos
Do que pra sempre te ter brasa
Mas nem sempre
Talvez porque eu não seja
Que seja ao menos quando estou contigo
Basta
Você me faz achar que é minha
Mas nem sempre
Talvez porque eu não seja o único
Se me deseja tudo quando estamos juntos
Basta
Você me faz reviver
E me mata devagar
Não sei se é veneno ou antídoto
Mas se for intenso com seu mar de libido
Basta
Você me faz querer
E querer hesitar
Talvez porque já saiba
Que entre mim e o mundo tem a vida pra desejar
Vasta
Você é minha melhor reflexão
E a alienação descomprometida
Não sabe ser maniqueísmo
É o reflexo dos meus desejos e da minha imagem
Gasta
Eu não quero mais você pra mim
Eu quero te querer pra sempre
Talvez eu não te caiba
E te ter posse seja privar a sua dança
Cortar as suas asas
Não basta só querer assim
Querer nunca é fácil demais
Tampouco esse seja o único caminho
Mas vale ter sua chama inteira aos poucos
Do que pra sempre te ter brasa
domingo, 27 de maio de 2018
Intenções
Acredite
nas minhas melhores piores intenções
Ou não
Apetite
em mente a gente sabe como ser verdade
corpo são
Há limite
do que eu quero eu digo quase nada a ti
senão
Intrigante
pensar no erro, na distância e na sua dança
tensão
Instigante
a juventude, a plenitude e o brilho no olhar
quinhão
Quietude
do seu silêncio inundado de outras coisas
em vão?
Amiúde
eu penso e hesito, falo e explico meu querer
paixão
Apressado
eu quero logo e muito e tudo muito mais
tesão
Marcado
a ferro e fogo de voz e sotaques seus
canção
Vontade
de despir a alma e vc, o corpo e as palavras
então
Saudade
de sentir o que tão pouco eu experimentei
Razão
Verdade
que como o erro não te impede de ser meu amuleto
Meu chão
nas minhas melhores piores intenções
Ou não
Apetite
em mente a gente sabe como ser verdade
corpo são
Há limite
do que eu quero eu digo quase nada a ti
senão
Intrigante
pensar no erro, na distância e na sua dança
tensão
Instigante
a juventude, a plenitude e o brilho no olhar
quinhão
Quietude
do seu silêncio inundado de outras coisas
em vão?
Amiúde
eu penso e hesito, falo e explico meu querer
paixão
Apressado
eu quero logo e muito e tudo muito mais
tesão
Marcado
a ferro e fogo de voz e sotaques seus
canção
Vontade
de despir a alma e vc, o corpo e as palavras
então
Saudade
de sentir o que tão pouco eu experimentei
Razão
Verdade
que como o erro não te impede de ser meu amuleto
Meu chão
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Erro acertado
E você que tem medo do erro
Que não se lança
Não sabe o que mora por lá
Perde o passo
Preocupado com o compasso da dança
Te trago notícias daqui
De onde mora o errado
Se desprende do seu dualismo
Aqui há braços
Melhores pedaços daquilo que foi rejeitado
Eu gozo do meu erro acertado
Do sorriso e da vontade
de tudo que é hesitação e querer
Um jeito que nega
Mas premia o lábio de um calor que invade
Tá certo acolher o errado?
Trocar tudo pelo suposto equívoco
Por um desejo de ter
de ser inteiro aí dentro
Ocupar você, beber seu veneno e negar o antídoto
Tão perto pra estar separado
Já não sei medir lugar e tempo
O fato é querer estar
completo nas curvas do erro
Sabido que mesmo pro erro que arde a vida pode ser vento
Norhan Sumar
Que não se lança
Não sabe o que mora por lá
Perde o passo
Preocupado com o compasso da dança
Te trago notícias daqui
De onde mora o errado
Se desprende do seu dualismo
Aqui há braços
Melhores pedaços daquilo que foi rejeitado
Eu gozo do meu erro acertado
Do sorriso e da vontade
de tudo que é hesitação e querer
Um jeito que nega
Mas premia o lábio de um calor que invade
Tá certo acolher o errado?
Trocar tudo pelo suposto equívoco
Por um desejo de ter
de ser inteiro aí dentro
Ocupar você, beber seu veneno e negar o antídoto
Tão perto pra estar separado
Já não sei medir lugar e tempo
O fato é querer estar
completo nas curvas do erro
Sabido que mesmo pro erro que arde a vida pode ser vento
Norhan Sumar
domingo, 6 de maio de 2018
Enganos e agrados
Me orientei pelo que me contaram
Sobre sua cor favorita ser cinza
E que talvez vc fosse fria
na maior parte das vezes ranzinza
Vivendo de fazer chover e trabalho
Me armei de lugar, das coisas que me forjaram
E logo na minha chegada você avisa
não é raro te chamar linda
Que mesmo longe do mar sabe ser brisa
Chamando a viver os prazeres do seu calendário
Me enganei sobre tudo e me vi desarmado
Me parece que o que vc encosta eterniza
Suas curvas e suas manias
requintam o que sua luz sinaliza
que sua morada é em qualquer relicário
Me apaixonei por você e por tudo daqui
talvez seja a forma que vc improvisa
Dando saída pras noites vazias
tornando vivaz a alma que agoniza
sendo o incomparável do meu dicionário
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Um grande abraço!
...
"Amar é querer que tudo seja primavera
É sonhar mesmo estando acordado
Amar é estar só e não sentir-se sozinho
Também pudera. Também pudera"
...
...
Pela saudade que tortura o coração
Pela verdade que eu vejo em teu olhar
Pela dúvida que alimenta a paixão
Pela vontade que existe no amar
Nos seus carinhos, de prazeres aflorados
Na minha cama, tão vazia sem você
Sem seus sorrisos e olhares marejados
Sem nossas roupas, a vestir o chão gelado
Sem meu colo, pro teu corpo aquecer
...
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Fonte de toda inspiração...
Foto: Juliana Sumar... Eis aqui a magia e a beleza do Brasil!

