Os nossos sons lhe parecem alheios, não?
Assim como tudo que é de origem nossa
tudo que não parece alinhado ao teu discurso
da hipocrisia, da meritocracia falaciosa
dos traços borrados
da sua visão de mundo
O nosso tom lhe parece alheio, não?
Assim como tudo que a gente trazia
tudo que não seja tua erudição mal fundamentada
requinte blasé, análise vazia
De achar que é detentor da verdade
de tudo
Nossa cor lhe parece alheia, não?
Assim como tudo que seja nossa identidade
tudo que não seja cristão, eugenista ou rendido ao capital
racismo velado, sempre covarde
De achar que define em silêncio
o que é normal
O nosso cabelo lhe parece alheio, não?
Assim como assumir que cabelo é raiz
e tudo que expressa a história da gente
que revive Cláudias em Benguelas, Amarildos em Zumbis
E faz questão de mostrar pra vc
que a elite mente
A nossa luta lhe parece alheia, não?
Assim como tudo que incomode a ordem vigente
tudo que enfrente a acumulação, a propriedade e a exploração
Segregação atroz, escravidão da gente
com caráter de classe, de cor
de achar que é senhor com arma na mão
Parece alheio o que eu quero dizer?
Então me cabe dizer que não calarão
a levada do som, a altura do tom, a negritude da cor e a força da luta
E as tuas condutas que não passarão
quando as pedras na mão forem nossas armas
e a sua resposta for fuga
Norhan Sumar
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Foto: Juliana Sumar... Eis aqui a magia e a beleza do Brasil!
domingo, 27 de março de 2016
Identidade nossa
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Maré
Nunca se sabe o que a maré pode trazer
Mas pra que saber?
Mergulha fundo na reviravolta desses atos
Mesmo que a maré não seja mar
Pra confrontar expressões dessa realidade
Única e contraditória
Que reprime sob varias formas
Que mata com caráter de classe
Dotada de caráter de cor
Da pele e da bandeira política
Vermelha como os olhos marejados
E o chão com sangue da luta
Preto como os ancestrais
E como o chumbo a perfurar a pele de toda a cor
Mas pra que saber?
Mergulha fundo na reviravolta desses atos
Mesmo que a maré não seja mar
Pra confrontar expressões dessa realidade
Única e contraditória
Que reprime sob varias formas
Que mata com caráter de classe
Dotada de caráter de cor
Da pele e da bandeira política
Vermelha como os olhos marejados
E o chão com sangue da luta
Preto como os ancestrais
E como o chumbo a perfurar a pele de toda a cor
A mare há de se levantar
E nos brindar com sua revolta
Como que fogo pelas ruas ateado
Como que onda a invadir o calçadão das vaidades
De gente feliz pelo consumo alienado
Que ignora ser parte da barbárie
Que adora vomitar a sua parte da verdade
E nos brindar com sua revolta
Como que fogo pelas ruas ateado
Como que onda a invadir o calçadão das vaidades
De gente feliz pelo consumo alienado
Que ignora ser parte da barbárie
Que adora vomitar a sua parte da verdade
Quando vir maré, mergulha
Que maré é movimento do incomodado e do incômodo
É resultado do que vimos fazendo ao longo do tempo
Mergulha bem fundo
Pq quem o faz se junta e não navega
A mercê do vento
Entregue ao lamento ou contento
Mergulha, pq maré alta inunda
Mas não impede de ver
E não poupa quem nada
Nada faz
Nada viu
Nada sabe
Nada
Que maré é movimento do incomodado e do incômodo
É resultado do que vimos fazendo ao longo do tempo
Mergulha bem fundo
Pq quem o faz se junta e não navega
A mercê do vento
Entregue ao lamento ou contento
Mergulha, pq maré alta inunda
Mas não impede de ver
E não poupa quem nada
Nada faz
Nada viu
Nada sabe
Nada
Trabalho na origem do nome é tortura
e a essa altura me pergunto se mudou
entre a essência e a aparência, o oprimido
é opressor
os sujeitos e os corpos permanecem a
viver a dor
Perdoa-me se teu trabalho é emprego
e o patrão empregador
E de outras formas e se expressam as
marcas e cicatrizes do labor
Ainda assim a tortura é inerente e
você não se isenta
Se enxerga o mundo sabe
mesmo que não te assole perceber um
sofredor
Induzido a acreditar que o mundo é
isso que a vida lhe aparenta
Que alimenta o fetichismo do consumo
alienado
inundado de uma lógica que formata a
consciência
perdoa-me denunciar a tua inocência
ou na inocência acreditar que pra
você faz diferença
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Certa vez eu conheci a menina mais bela
bela nao por ser menina
mas era tanta energia aquela
que fazia da beleza dela minha sina
Certa vez também foi minha a mulher mais forte
forte nao por ser mulher
mas pela coragem de afrontar a sorte
ignorando os nortes, pra levar a vida no caminho que ela quer
e acredite, ja senti de perto o mehor perfume
que nem só por ser perfume é o melhor
mas quando imerso nos cachos de tal morena assume
todos os sentidos rumo ao cume do prazer maior
meu também já foi o melhor beijo
que mergulhado no ensejo dos meus lábios
me arrepia o corpo inteiro de desejo
inundado vejo que me entregar é o que me torna sabio
me despeço sem deixar o meu encanto
que por ser encanto nao permite prepotencia alguma
mas um querer por ela e por seus prazeres tantos
todas elas e apenas uma
Norhan Sumar
bela nao por ser menina
mas era tanta energia aquela
que fazia da beleza dela minha sina
Certa vez também foi minha a mulher mais forte
forte nao por ser mulher
mas pela coragem de afrontar a sorte
ignorando os nortes, pra levar a vida no caminho que ela quer
e acredite, ja senti de perto o mehor perfume
que nem só por ser perfume é o melhor
mas quando imerso nos cachos de tal morena assume
todos os sentidos rumo ao cume do prazer maior
meu também já foi o melhor beijo
que mergulhado no ensejo dos meus lábios
me arrepia o corpo inteiro de desejo
inundado vejo que me entregar é o que me torna sabio
me despeço sem deixar o meu encanto
que por ser encanto nao permite prepotencia alguma
mas um querer por ela e por seus prazeres tantos
todas elas e apenas uma
Norhan Sumar
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Pagando com insanidade
E se hoje eu ficar maluco beleza?
Ignorar seu olhar de aspereza
subir na mesa e dançar sobre a tua
sopa
tirar o doce da tua boca
dar pra quem tem fome e acabar com a
bagunça
com o sofrimento, as lamúrias e com
a própria loucura
impregnada no âmago do sistema que
você mantém
entre luxúrias, trabalhos, rivotris
e améns
te prender num hospício que você construiu
afrontar a tua insanidade crônica e
vil
Mas pensando bem, como louco, o que
faço a teus filhos?
aqueles que reproduzem teus
preceitos sem pensar nos alijados
os trato como loucos e esterilizo um
a um
camisas de força, choque, nudez
obrigatória de valores forjados
talvez algo de tortura pra confessar
o crime da miséria que eles têm
ignorado
Ou quiçá eu não seja tão radical
e apenas imponha algumas regras de rotina
laboral
Quem sabe não lhes enobreça as 44
horas de trabalho semanal
o patrão, salário mínimo, barreiras
de acesso e opressão
trabalho com a mão na massa e os pés no chão
o que será que diriam de mim?
e se me disseres que sou louco por
pensar assim
respondo que o louco é quem me diz
que sem pensar está feliz
Inocência
Trabalho na origem do nome é tortura
e a essa altura me pergunto se mudou
entre a essência e a aparência, o oprimido
é opressor
os sujeitos e os corpos permanecem a
viver a dor
Perdoa-me se teu trabalho é emprego
e o patrão empregador
E de outras formas e se expressam as
marcas e cicatrizes do labor
Ainda assim a tortura é inerente e
você não se isenta
Se enxerga o mundo sabe
mesmo que não te assole perceber um
sofredor
Induzido a acreditar que o mundo é
isso que a vida lhe aparenta
Que alimenta o fetichismo do consumo
alienado
inundado de uma lógica que formata a
consciência
perdoa-me denunciar a tua inocência
ou na inocência acreditar que pra
você faz diferença
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Entre a criação e o produtivo
Entre
o criativo e o produtivo há um hiato
Os dois, processos e atos
Um deles de entrega onde se nega o tempo
O outro há tempo estabelecido de entrega
Um é quantidade, volume, mão de obra e mais-valia
O outro é qualidade e obra, de mãos e mentes sem pressa
Os dois, processos entre fatos
Um deles exercício, pensamento e construção
O outro é ofício, vicioso, artifício de opressão
Os dois processos e nem sempre acesso
Um é consumo, descarte e obsolescência programada
O outro uso, inspirado, inesperado e criação
Um determina classe, salário e vida
O outro não há se há determinação social de um projeto burguês de educação
Entre o produto e a criação não há fronteiras
Um é o outro a depender de quem compre
O outro é o um a depender que de quem cria
Um é produzido pelo proletário e consumido pela “nova” classe média
O outro construído nas vielas, nas favelas, nos semáforos entre prédios
Produto é criação que se compra
Criação agora é produto do capital
Entre um e outro um hiato, de sentidos e ideal
Os dois, processos e atos
Um deles de entrega onde se nega o tempo
O outro há tempo estabelecido de entrega
Um é quantidade, volume, mão de obra e mais-valia
O outro é qualidade e obra, de mãos e mentes sem pressa
Os dois, processos entre fatos
Um deles exercício, pensamento e construção
O outro é ofício, vicioso, artifício de opressão
Os dois processos e nem sempre acesso
Um é consumo, descarte e obsolescência programada
O outro uso, inspirado, inesperado e criação
Um determina classe, salário e vida
O outro não há se há determinação social de um projeto burguês de educação
Entre o produto e a criação não há fronteiras
Um é o outro a depender de quem compre
O outro é o um a depender que de quem cria
Um é produzido pelo proletário e consumido pela “nova” classe média
O outro construído nas vielas, nas favelas, nos semáforos entre prédios
Produto é criação que se compra
Criação agora é produto do capital
Entre um e outro um hiato, de sentidos e ideal
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...
"Amar é querer que tudo seja primavera
É sonhar mesmo estando acordado
Amar é estar só e não sentir-se sozinho
Também pudera. Também pudera"
...
...
Pela saudade que tortura o coração
Pela verdade que eu vejo em teu olhar
Pela dúvida que alimenta a paixão
Pela vontade que existe no amar
Nos seus carinhos, de prazeres aflorados
Na minha cama, tão vazia sem você
Sem seus sorrisos e olhares marejados
Sem nossas roupas, a vestir o chão gelado
Sem meu colo, pro teu corpo aquecer
...
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Foto: Juliana Sumar... Eis aqui a magia e a beleza do Brasil!

