quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Medida de amor

 


Como medir o amor do outro?

Se amor é pessoal 

se o sentimento é sensação 

de querer bem mesmo sem ter

De ver acontecer a vida

fora dos planos 

E não saber como recuperar 


Como medir o amor do outro?

Se amor é carnal

e por que não?

Se não há nada melhor que o prazer

de ver a pele despida

Dos rancores, das despedidas

E então viver de recomeçar


Norhan Sumar

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Mas é assim

Você que me quis 
Me tirou do sono, do sério, de casa
Pra depois vir me dizer que está confusa 
Me usa, sabe-se lá se só a mim

Mas é assim

Sua liberdade, suas escolhas, suas asas


Você que me diz

O meu abandono, meu tédio, sua mágoa 

Por que não usa mais a minha blusa?

Acusa, mas agora você que faz assim

E aí de mim

sua verdade, seu silêncio, mais nada


Querer você eu quero

E Espero, até, sua confusão

Tão sincero

Eu tenho sido e vivido o turbilhão

Do amor que é nosso

E você sabe que eu tempero 

E tem momentos que e só a gente dar a mão


Querer viver eu quero 

Mas com você ou com a solidão 

Tão eterno 

Esteja você aqui perto ou não

Eu fiz dor e destroços

Mas vivo pra ver se recupero

Seu amor, sua lealdade, sua paixão 



Norhan Sumar


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Nós

Essa confusão de nós
Que nos amarra um ao outro

Atando as mãos e os planos

Os passos e os enganos

Apertam até sangrar a pele


Essa confissão de nós

Que nos maltrata de novo

Revelando então os danos 

Aos poucos e aos prantos 

Acertam até sangrar a pele 


Esta obsessão de nós

Que nos acende o fogo

Reavivando um tesão insano 

Dos loucos e dos profanos

Queimam até suar a pele


Essa devoção de nós

Brindando paixão a cada gozo

Lembrando que há amor, portanto

A cada toque o corpo é canto

E a pele acolhe o mar da pele 


Norhan Sumar

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Valor

O tempo tem me provocado 
com suas novidades 

e sua forma de andar depressa

Faz tempo que ando calado 

sentindo em mim o desgaste 

evitando qualquer conversa 

que não valha o café ou o afago

 

                                                Norhan



quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Quem é?


Quem é você aos olhos dos outros?
Falo dos justos e não dos perversos
Não que isso importe
Ou que deva moldar seus gestos
Mas o que dizem quando não está por perto?
O que fazem pra te ver retornar?

Como é você aos olhos dos outros?
Falo dos invisíveis de sempre
Não que você note
O homem na rua querendo comer
O que ele murmura quando te dá as costas?
O que você pensa antes de voltar ao seu mundo?

Quem é você quando está só?
Falo de momentos e não de vida
Ninguém que te note
O que indigna realmente você?
Te faz querer mudar de rumo, de comportamento
A miséria de tantos ou a marca da sua roupa?

Como você é hoje?
Falo de agora e não de ontem
De abraços e sorrisos
Quantos planos você já fez?
Quantos passos deu em direção aos seus sonhos?

Quantos precisarão cair para que você fique de pé? 


Norhan Sumar

Rumo

E eu sei lá o que é rumo

e talvez não devesse saber
Como caminhar só comigo

Faço andar devagar
Com pressa de viver tudo
Divagando entre mim e os outros

O perigo é olhar para trás
Sabe? Aquele atrás do tempo
Reconstruir com cacos os planos

Deixar te afogar as memórias
Do que foi dito também
De como poderia ser sem você

Por não conseguir ficar
No lugar que sonhei
Destruo sonhos alheios sem querer

Conquisto e vou embora depois
Não que seja por mal
Mas meu sem querer tbm faz doer

É maldade oferecer sorrisos
e partir antes de ver as lágrimas?
Como se estivesse isento de sofrer

Eu não quero mais estar aqui
Lugar de indecisão e arrependimento
Momentos vãos pra viver

Cansado de palavras vazias
De fingir gostar do assunto
De falar quando queria silêncio

Exausto de me faltar rumo
Talvez devesse mesmo
Parar com a pressa de tudo

Norhan Sumar

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Fosse posse

Poderia haver pertencimento sem posse 
Fosse a presença algo além do seu corpo
Que superasse a aparência de tudo
E fosse mais fundo
Onde o padrão não alcança
Onde a canção e a dança fossem um 
E desvelassem a essência por dentro
a realidade, na verdade é meu mundo 

Deveria viver enquanto você não viesse
Tivesse a emoção lugar menos torto 
Que encontrasse em meu peito um escudo 
E fosse mais fundo 
Onde o padrão não alcança
Onde a emoção que se lança em mim
Respondesse a questão que me fez
À vontade, pra ficar ou partir do meu mundo

Caberia aqui por mais quanto tempo? 
Ficasse na norma daquela vida morna 
Que sabemos, era linda eu assumo 
E fosse mais fundo
Onde o padrão não alcança
Onde a paixão, semelhança de ser em si
Desatasse em nós os nós da vez 
Liberdade, para partir e permanecer juntos

Norhan Sumar