quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Espelho de dois

O espelho não te mentiu

no dia em que você se viu linda

se viu sorrir e quis desviar

se olhou despir e precisou despistar

o frio da sala e do chão

mas não do olhar


O espelho não te mentiu 

no dia que formamos um belo casal

e viu seu toque me arrepiar 

sentindo que achara meu lugar de morar 

nos seus olhos, clarão 

e o convite a desaguar


                                             Norhan Sumar

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Mal me quer

Não é que eu te queira mal
você não me querer bem
Afinal, também
Quem vive de querer?
A gente vive com o que tem 

                        

                                         Norhan Sumar 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Mil vezes sucessivas

Eu não quero correr o risco 
de não parecer suficiente 

entre tanta juventude 

talhada e esculpida 

Entre essa rotina insana

que não se encaixa com a minha


Eu não quero abafar o riso 

de alguém que vem contente 

entre tanta atitude 

de vigor e vida 

Entre a minha insegurança 

que até então não existia 


Eu não quero regravar o disco

Rígido como quem mente 

entre tanta plenitude 

disfarçando uma saída 

Entre dores e arrogância

forjo uma postura fria


Eu só quero o seu sorriso

entre defeitos e virtudes

ser seu mel, sua comida

Do seu corpo a abundância 

mil vezes sucessivas 

Relances

Tenho vivido de romances 
de inícios incontáveis 

Nuances de vida a dois

sem ter de dividir o copo 

e a conta de luz

sem almoço de domingo 

os silêncios indecifráveis

brigar e reatar depois

fingindo que eu importo



Tenho vivido de relances 

de passos instáveis 

derrubando quem se dispôs

a dividir comigo meu corpo

e quem seduz

sem emoção ou perigo 

procurando miragens

onde o sentimento se foi

e o prazer são os caminhos tortos



                                          Norhan Sumar

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Vivo querendo encontrar 
o que é o melhor de mim
Se eu sei ser bom

assim como sei ser mau 


Ando pensando que deixei passar

o que era o melhor para mim

Se convidei a solidão

e transformei no meu normal


Pareço precisar de um amor doído

e dispensei qualquer felicidade

em troca de quase nada


Há preços que o desapreço vai cobrar

e eu sei que a minha liberdade

também me largará sozinho na estrada


Norhan 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Liberdade ou solidão

Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo 
Tanto tempo se passou pra nós dois

Minha cabeça é um turbilhão de sentimentos

E eu pareço me deixar para depois


Quanta coisa eu sem querer joguei ao vento 

E quando tento entender o que acontece

Eu nunca sei ao certo o que eu tô fazendo

Mas pelo avesso ngm mais me reconhece


Me esquecer é a melhor escolha que vc tem

Porque eu sei que me ter é sofrimento 

Se puder, só lembra que já te fiz bem

E do quão mágicos foram nossos momentos


Ajusta o fio da balança e deixa pesar virtudes

Embora eu saiba que lancinam meus defeitos 

Tortuosos passos que levam à tristes atitudes 

Em gestos literais e colaterais efeitos 


Aposto que não querer ngm é minha defesa

Pra um sentimento que eu desaprendi

Ou talvez não queira que minha mente esqueça

Que o amor mais extraordinário eu já senti


Vivendo de comparações e rotas de fuga 

Hesito em atestar se o caminho tá certo

Promessas em vão, premissas escusas 

Já nem sei viver longe se não quis estar perto 


Advogo a discrição que me favoreça 

Trôpego, corro com pressa de viver

Se há apego, eu sugiro que me esqueça

Fôlego, renovo sem precisar me envolver


Eu superei dualismos graças a você

Entre o certo e o errado, uma vastidão

Não preciso saber o que vai acontecer

Se eu decido o que é liberdade e o que é solidão



Norhan 

O nosso nós dois

Meus passos em falso me trouxeram aqui
Os tropeços, os avessos e silêncios

As lágrimas que chorei e fiz chorarem

páginas que virei sem terminar de ler


Os acasos e os descasos me levaram daí

Os desapegos, os recomeços e insistências

Tão trágicas, que andei ou fiz pararem

Fórmulas de existência e mal querer 


Tem pedaços e destroços de memórias em si 

Os nossos, que às vezes aparências

Erráticas, contadas para nos distanciarem

Da órbita que puxa meu eu pra vc 


Teus traços e toques parecem feitos pra mim

Os sorrisos, os gostos e o corpo mar 

A química e o calor quando os toquem fazem

a métrica e fluem inventando prazer 


Tem tempo e tem o nosso nós dois 

Amigos, amantes e eternos 

Cínica forma de amor e amar

Reiventando regras pra subverter 


Norhan Sumar